sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sem pedras no caminho

O Tempo de Poetar realizou mais uma oficina de poesia para a primeira turma. A cada semana, os alunos fazem novas descobertas acerca de poesia e de poetas. Nesta quinta-feira, 21/06, estudamos as figuras de linguagem na poesia. Eles puderam identificar metáforas, antíteses e personificações nos poemas lidos durante a aula. Além disso, trabalhamos a biografia e alguns poemas dos poetas Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles e Manuel Bandeira.

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


Carlos Drummond de Andrade

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida 
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. 
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados 
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. 
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. 
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. 
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. 
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. 
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. 
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. 
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. 
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. 
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. 
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada. 


Vinicius de Moraes


Resíduo

Quando passarem os dias,
e não mais se avistar
nosso rosto, e o sereno
modo nosso de olhar,

e a nossa evaporada
voz não viver mais no ar,
e as sombras esquecerem
a que era a do nosso andar,

Vai ser doce pensar-se
-em que secreto lugar?-
nos sonhos que inventamos,
ternos e devagar,

no perfil que tivemos,
tão fino e singular,
e no louro e nas rosas
que o poderiam coroar,

e nos vergéis que sentíamos,
quando íamos a par,
ouvindo o amor que nunca
chegou a sussurrar.


Cecília Meireles



Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta. 


Manuel Bandeira

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Serra do Rola-Moça


Na quinta-feira, 14 de junho, nossos poetas participaram da terceira oficina de poesia. Nesta aula, trabalhamos os tipos de rimas. Além disso, os alunos puderam conhecer mais sobre a vida e a obra do poeta Mário de Andrade. "A Serra do Rola-Moça" foi o poema apresentado aos participantes. Desta vez, nossos poetas escolheram o tema dos poemas que produziram. Em breve, os versos serão postados aqui.

A Serra do Rola-Moça

A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não...

Eles eram do outro lado,
Vieram na vila casar.
E atravessaram a serra,
O noivo com a noiva dele
Cada qual no seu cavalo.

Antes que chegasse a noite
Se lembraram de voltar.
Disseram adeus pra todos
E se puseram de novo
Pelos atalhos da serra
Cada qual no seu cavalo.

Os dois estavam felizes,
Na altura tudo era paz.
Pelos caminhos estreitos
Ele na frente, ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.

A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não.

As tribos rubras da tarde
Rapidamente fugiam
E apressadas se escondiam
Lá embaixo nos socavões,
Temendo a noite que vinha.

Porém os dois continuavam
Cada qual no seu cavalo,
E riam. Como eles riam!
E os risos também casavam
Com as risadas dos cascalhos,
Que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam,
Buscando o despenhadeiro.

Ali, Fortuna inviolável!
O casco pisara em falso.
Dão noiva e cavalo um salto
Precipitados no abismo.
Nem o baque se escutou.
Faz um silêncio de morte,
Na altura tudo era paz ...
Chicoteado o seu cavalo,
No vão do despenhadeiro
O noivo se despenhou.

E a Serra do Rola-Moça
Rola-Moça se chamou.

Mário de Andrade

Acrósticos

SIMPLES FELICIDADE

Ler poema às vezes me acalma
Uma coisa que eu fiz
Coisas que me deixam feliz
Algo me diz que purifica a alma
Só assim eu mostro o que eu sempre quis

SERENIDADE

Sentar em meio à natureza
Aspirar o ar puro tranquilamente
Meditar e poder relaxar
Ajudar as pessoas sem antes pensar
Nada mais fazer além de ler
Ter inspiração e ânimo
Hoje em dia, pintar, cantar e dançar
Aceitar a mim mesma como eu sou

COISAS FELIZES

Castigo que meus pais dão
Riso, amor e paixão
Isso me faz feliz
Sinto felicidade
Tanta no coração
Isso me traz
Amizade e amor
Ninguém me faz mais feliz do que meus pais

ANIMAIS

Eu amo muito os animais
Desejo tudo de bom para eles
Urso, cachorro e gato
Amo tudo que há neles
Rato, barata e sapo
Diferentes e nojentos
Amo todos de forma igual, sem nunca desejar o mal

SOU EU

Eu sou o Eduardo, mais conhecido como
Dudu. Sou brincalhão e amigão.
Uso muito a internet para pesquisar.
As pessoas da minha vida são queridas.
Rir é o que adoro fazer com meus amigos.
Dudu sou eu e esse é meu dia-a-dia.
Os meus amores são os animais e os amigos.

ESSE AMOR

Te amo
Havia como não te amar?
Amo demais
Isso é amor
Sabia que não tinha como ser diferente

SENTIMENTOS

Como você pode ser tão importante na minha vida?
O que sinto é tudo aquilo que ontem não sentia!
Será que tudo que fiz foi em vão?
Tudo que fiz pelo seu coração?
Amor, tudo o que eu queria dizer é: Te amo!

Teimosa, legal
Aluna, amiga
Inteligente
Nariguda, olhuda
Animada pelo time

Santos
Amo ser fã do
Neymar
Tainá moça
Orgulhosa, ama ser neta do
Silvio Santos, mas não o da tv 

Não vou mentir, amo andar de skate
Isso não me impede de gostar de escrever poema
Carol, minha melhor amiga, nela posso confiar
Olhei várias vezes para o passado e já mudei bastante
Linda sei que não sou, mas sei que o importante é ser feliz
Eu sei que ninguém é perfeito, apenas Deus, o pai de todos nós

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Alunos dedicados

A segunda aula da oficina de poesia, ocorrida em 31 de maio, iniciou com leitura de poemas. Na aula anterior, eles haviam levado para casa livros de poesia. Além de lerem, eles deveriam escolher um poema para ser lido em aula. Cada um falou sobre o que mais gostou no poema, motivando a escolha.


Além disso, estudamos outros conteúdos como quadra, aliteração, acróstico e cordel. Para ilustrar a literatura de cordel, assistimos a um vídeo sobre a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré. Foi um dos momentos mais poéticos desta aula.


Para completar, nossos queridos e dedicados poetas criaram lindos acrósticos que postarei a seguir. Por enquanto, ficamos com a imagem destes escritores no momento de produção.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Primeiros versos





Poesia está em tudo

Poesia tem tudo a ver
com tantas coisas quanto puder
com tudo que sentimos
tem quantas ideias você quiser

Poesia está em todo lugar
onde você menos espera
ou onde quiser encontrar
onde tiver sentimento
seja em qualquer momento
qualquer dia ela vai chegar
pode aparecer até mesmo no seu lar
invadindo seu pensamento
ou expressa em seu olhar.

Samantha Gouvea

Poesia tem a ver com o quê?

Poesia tem a ver com
emoções, sentimentos, ações
do nosso ser.
Poesia tem a ver com 
pássaros voando no céu
no céu azul de nossas vidas
Poesia tem a ver com
amar e ser amada
ter com quem brincar
Poesia tem a ver com 
respeitar e ser respeitada
Poesia tem a ver com tudo
que nós imaginarmos.

Tainá Santos  


Poesia tem tudo a ver com...

Eu gosto de tudo
Brincar, desenhar, pintar
Gosto mais de poetar
Tudo na vida é viver
E eu não vivo sem os poemas
Que tanto gosto de ler

Cristian Oliveira

Arte

Poesia tem tudo a ver com
Brincar, falar, rimar, pensar.
Poesia é a arte onde tudo faz
parte.
Pensar também é arte.
Tem tudo a ver com sentimentos.
Mas tem que dar tempo ao tempo.
Imaginar, contar, pensar.
Tudo se refere à imaginação
Não necessariamente
com perfeição
Fazer uma criação
Isso é poesia
É viver do dia-a-dia

Eduarda Costa

Poesia é muito mais...

Poesia tem a ver com alegria!
O que muitas pessoas sentem dia-a-dia.

Poesia serve para expressar nossos sentimentos.
Poema serve para a gente rir, lembrar etc
Nós também servimos para ler e escrever.
É muito mais que saber.

Eduardo Schmitz

Poesia tem a ver com...

Poesia é sentimento,
sentimentos e emoções
que estão no dia-a-dia
em nossas ações
que podem se apresentar
em deveres e obrigações.

Este é meu primeiro poema
aqui no Tempo de Poetar.
Só quero ver a hora
que esse poema pronto ficar
para ir ali na mesa
e a professora Karina avaliar.

Estou muito bem
com minha auto-estima.
Não está ruim, não.
Ela está lá em cima.
E termino o meu poema
completando esta rima.

Lucas Soares

Faça do seu jeito

Poesia tem a ver com tudo
tem a ver com música, filme, livros
principalmente sentimento.

Na poesia você pode inventar
e contar uma história.
Soltar sua imaginação
e fazer com o coração.

Maria Eduarda Fiuza

O tempo que tenta

O tempo tem a ver com o que temos
com o que virá
Poesia tem a ver com a minha vida
com o que eu penso
com o que eu faço
O tempo que tenta
pensa, vive, age como eu
ou qualquer pessoa 
O tempo pode ou não pode ser nosso amigo
O meu tempo não tem controle
Ele tem amor
O tempo é uma vida contada.

Nicole Renner 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Os poetas

Apresento os Poetas participantes da primeira turma do projeto.

Cristian Oliveira
Escola Júlio Casado
13 anos


















Eduarda Costa
Escola Júlio Casado
12 anos


















Eduardo Schmitz
Escola Hugo Gerdau
11 anos

















Lucas Soares
Escola Afonso Guerreiro Lima
13 anos


















Maria Eduarda Fiuza
Escola Hugo Gerdau
11 anos

















Nicole Renner
Escola Erico Verissimo
11 anos


















Samantha Gouvea
Escola Vanessa Ceconet
14 anos


















Tainá Santos
Escola Júlio Casado
16 anos



















Thaís Cristina Garcez
Escola Júlio Casado
14 anos


















Sejam todos bem-vindos ao Tempo de Poetar!